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A reorganização do trabalho no setor de telecomunicações

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Par   •  13 Avril 2012  •  4 401 Mots (18 Pages)  •  496 Vues

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A reorganização do trabalho no setor de telecomunicações

Maura Lúcia Montella de Carvalho (UFRJ) mauramontella@ind.ufrj.br

Fabrício Molica de Mendonça (UFSJ) famoly@ufsj.edu.br

Débora Pereira de Macedo Soares (Embratel) dmacedo@embratel.com.br

Resumo

Este trabalho se propõe analisar a evolução histórica do setor de telecomunicações no Brasil, de modo a verificar como se deu a mudança desse setor, ao longo da história, no plano bidimensional que envolve o grau de rigidez da cadeia de suprimentos e o grau de complexidade das decisões. Esse plano está dividido em quatro regiões, cujas características são: cadeias flexíveis com decisões pouco complexas; cadeias rígidas com decisões pouco complexas; cadeias rígidas com decisões muito complexas; e cadeias flexíveis com decisões muito complexas. À luz da Economia Industrial e da Teoria da Racionalização do Trabalho, pudemos observar que o setor de telecomunicações migrou pelas diferentes regiões, em virtude da sua própria evolução ao longo do tempo.

Palavras-chave: Reorganização do trabalho; Organizações industriais; Tomada de decisão.

1 Introdução

As organizações industriais se depararam com problemas mais ou menos estruturados, e com cadeias mais ou menos verticalizadas, em virtude das diferentes gerações ou fases da racionalização da produção. Por isso, essas organizações podem ser representadas em função do grau de rigidez da cadeia de suprimentos e o grau de complexidade das decisões, conforme mostra a figura 1.

Figura 1 – Grau de rigidez e o grau de complexidade das decisões na cadeia de suprimentos

Analisando a figura 1, percebe-se que quatro situações podem ocorrer, em virtude do confronto entre o grau de rigidez e a complexidade das decisões na cadeia de suprimentos: a) cadeias flexíveis e problemas analisáveis; b) cadeias rígidas e problemas analisáveis; c) cadeias rígidas e problemas não analisáveis; d) cadeias flexíveis e problemas não analisáveis.

Cabe ressaltar que empresas de diferentes setores, em virtude dos comportamentos diferentes das organizações industriais, poderão, num determinado momento, pertencer a diferentes posições em relação ao grau de rigidez da cadeia e o grau de complexidade das decisões. Isso é verdade também para um mesmo setor que, em virtude de mudanças na tecnologia, na estrutura organizacional, no mercado de atuação, etc., poderão, ao longo do tempo, ter passado por diversas posições no plano bidimensional.

Dentre os setores que apresentaram mudanças na posição do eixo ao longo dos anos, o setor de telecomunicações, no Brasil, merece destaque, uma vez que esse setor apresentou mudanças significativas nas últimas cinco décadas, passando por sensíveis transformações estruturais, abrangendo mudanças na tecnologia, nas forças de regulação do mercado e nas relações comerciais da cadeia produtiva.

O presente trabalho teve por finalidade analisar a evolução histórica do setor de telecomunicações no Brasil, de modo a verificar como se deu a mudança desse setor, ao longo da história, no plano bidimensional que envolve o grau de rigidez da cadeia de suprimentos e o grau de complexidade das decisões.

2 A dinâmica das organizações industriais

Pela literatura especializada, observa-se que Piore & Sabel (1984) e Best (1990), de um lado, Lazonik (1991) e Sklar (1988), de outro, e Porter (1990), numa posição intermediária, estão “engalfinhando-se” na tentativa de demonstrar qual o modelo de organização industrial é o mais eficiente no sentido de fazer com que uma nação ganhe ou mantenha sua superioridade econômica.

Enquanto Piore & Sabel e Best defendem a idéia de uma economia reorientada em direção às pequenas firmas, operando em um ambiente mais cooperativo e menos competitivo, Lazonik e Sklar acreditam que as grandes empresas verticalizadas são as que melhor defendem e exploram as inovações, e conseguem obter economias de escala, afirmando que as pequenas empresas não são capazes de competir eficientemente por não possuírem economias de escala. Porter acredita que a concentração geográfica de pequenos produtores pode aumentar a produtividade pelo melhor acesso ao conhecimento, mas, como Lazonik, não defende a criação de “ateliês” (distritos) nos casos em que as economias de escalas estão presentes.

O problema, segundo Robertson & Langlois (1995), é que “quase todos esses autores definem firmas e redes de maneira nebulosa e inconsistente, e sugerem, com base em suas definições [já viesadas], recomendações semelhantes para uma variedade de casos distintos”.

Robertson & Langlois (1995), então, tentam provar que a generalização neste caso é um erro. Para eles, a adaptação dos vários tipos de estrutura organizacional às inovações tecnológicas não se dá de maneira generalizada; ao contrário, depende do escopo e da relativa maturidade das indústrias envolvidas. Tanto é, que afirmam: “... nas economias avançadas, qualquer política governamental generalizada em direção à inovação é provavelmente inadequada às necessidades de muitos setores”.

Para Montella (2004,2005), as organizações industriais – independente da forma como aparecem – podem ser representadas em diversos pontos de um plano bidimensional que envolve o grau de rigidez da cadeia de suprimentos e o grau de complexidade das decisões, conforme mostra a figura 2.

Figura 2 – O plano bidimensional dividido por regiões

A primeira região é a situada à direita e mais próxima do eixo horizontal, cujos sistemas produtivos compreendem cadeias flexíveis e problemas analisáveis. Essa primeira região possui como principais características:

a) Predominância de pequenas empresas em concorrência perfeita, como forma de organização, prevalecendo uma estrutura organizacional mais desburocratizada e descentralizada;

b) Reações conhecidas, rotineiras e repetitivas dos agentes envolvidos, requerendo pouca reflexão para que sejam solucionados (problemas analisáveis);

c) Predominância de empresas com ativos pouco específicos, transações

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